Sexta-feira, Março 18, 2005


Elis Regina (17 de Março de 1945 - 19 de Março de 1982) Posted by Hello

Acordes de início do fim (-de-semana) (3)

Porque ontem fez 60 anos que nasceu, e amanha faz 23 anos que morreu Elis Regina:

Retrato Em Branco E Preto
A.C. Jobim/C. Buarque


Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali, sozinho,
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu faço contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E que no entanto volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos eu teimo em colecionar

Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que eu cansei de conhecer
Nossos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara, ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isto é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração



Micha

Proporções

Acerca de proporções, convém relembrar quem por altura das europeias dizia que era injusto que o PSD tivesse perdido representação enquanto que o CDS a mantinha. Alguns até culpavam o CDS pelo resultado da coligação "Força Portugal".
À luz das recentes eleições legislativas (e fazendo um exercício meramente matemático), podemos fazer algumas contas (contando sempre mandatos):
O PS subiu, sabemo-lo bem, de 95 para 120 mandatos, o que dá um factor de crescimento de 1.26(safa!). Já o PSD teve uma derrocada: de 102 para 72 deputados, num "crescimento" de 0.71 (que é um crescimento negativo, obviamente). Por fim o CDS desceu de 14 para 12 deputados, o que dá um factor de 0.86. (Façam as contas: dividam o número de mandatos obtidos nestas eleições pelos obtidos nas anteriores, e voilá - um factor superior a 1 corresponde a uma subida, e um factor abaixo de um a uma descida.

Peguemos agora nos resultados das europeias:
O PSD tinha 9 deputados europeus em 1999, o CDS 2. Em 2004 a coligação "Força Portugal" elegeu 9 deputados no total: 7 para o PSD, 2 para o CDS.
Tomando o resultado das legislativas como barómetro do sentimento dos portugueses (eu sei, Santana ainda não estava no poder, por isso não há comparação possível, e se achar, legitimamente, isto, deixe de ler este post), façamos as contas:

Nove deputados europeus do PSD em 1999 vezes 0.71 dá 6.35
Os dois do CDS vezes 0.86 dá 1.71.

Bem, afinal o PSD estava mais próximo de apenas levar 6 deputados para Bruxelas, e o CDS dos dois que de facto obteve.


Fica a ideia...


Micha

CDS: Outra curiosidade: o JSD passa de 15 deputados para 0, a JP (pelo menos para já) de 1 para 1... Estes já não voltam...

Terça-feira, Março 15, 2005

não me parece...





You Are a Pundit Blogger!



Your blog is smart, insightful, and always a quality read.
Truly appreciated by many, surpassed by only a few
.



Sinceramente? Não me parece; mas eu respondi em consciência às perguntas. «Smart, insightful, and always a quality read» ainda vá, agora «Truly appreciated by many, surpassed by only a few»... não mesmo...
Conclusão: testes online não serão para levar muito a sério... pelo menos este.

Micha

Sexta-feira, Março 11, 2005

Acordes de início do fim (-de-semana) (2)

País Do Gelo
Carlos Tê / Rui Veloso


Lá vai a nau catrineta que tem tudo por contar
Ouvi só mais uma história que vos vai fazer pasmar
Eram mil e doze a bordo nas contas do escrivão
Sem contar os galináceos sete patos e um cão

Era lista mui sortida de fidalgos passageiros
Desde mulheres de má vida a padres e mesteireiros
Iam todos tão airosos com seus farneis e merendas
Mais parecia um piquenique do que a carreira das indias

Ao passarem cabo verde o mar deu em encrespar
Logo viram ao que vinham quando a nau deu em bailar
Veio a cresta do equador e o cabo da boa esperança
Onde o velho adamastor subiu o ritmo da dança

Foi tamanha a danação foi puxado o bailarico
Quem sanfonava a canção era a mão do mafarrico
Tinha morrido o piloto e em febre o capitão ardia
Encantada pela corrente para sul a nau se perdia

Subia a conta dos dias ficavam podres os dentes
Eram tantas as sangrias morriam da cura os doentes
E o cheiro era tão mau e a fé tão vacilante
Parecia que a pobre nau era o inferno de dante

Com o leme sem governo e a derrota já perdida
Fizeram auto de fé com as mulheres de má vida
E foram tirando à sorte quem havia de morrer
Para que o vizinho do lado tivesse o que comer

No céu três meninas loiras cantavam um cantochão
Todas vestidas de tule para levar o capitão
No meio do seu delírio mostrou a raça de bravo
Teve ainda força na língua para as mandar ao diabo

Neste martírio sem fim ficou o lenho a boiar
Até que um vento gelado a terra firme o fez varar
Que diria o escrivão se pudesse escrevinhar
Eram mil e doze a bordo e doze haviam de chegar

Ao grande país do gelo com mil cristais a brilhar
Onde a paz era tão branca só se quiseram deitar
Naqueles lençois de linho a plumas acolchoados
E lá dormiram para sempre como meninos cansados




Micha

Terça-feira, Março 08, 2005

Acerca do Prof. Freitas do Amaral...

... e um bocado na sequencia do que já referi aqui (que o CDS tem todas as cartas na mão para fazer oposição ao governo, enumerando posições tomadas pelo ministro de estado, no seu passado) não percam este excelente post no "A Arte da Fuga".

Serve para desfazer o mito de que DFA se manteve no sítio enquanto o CDS se movia para a direita.
Um único senão: o anti-europeísmo da liderança de Monteiro, é, de facto, incomportável para o fundador. É aliás, a meu ver, o pior momento do partido na sua história; não só, mas também, por ter afastado muitos antigos apoiantes, entre eles Freitas do Amaral.
Até há um ano, mais coisa menos coisa, achei que se tal não se tivesse passado, DFA ainda estaria com o partido. Hoje, sabemos bem que não.

Micha

P.S. Não percam ainda esta pérola, no Mar Salgado

Titanic no fundo...

É boa verdade o que diz o Carlos Furtado aqui. A exposição do Titanic tem tantos erros que mete dó. E não só escritos, como falados. Conjugar verbos não é o forte de quem quer que escreveu os textos do CD que nos acompanha viagem fora. (Para não falar dos panfletos - se arranjar um volto cá com esse tema)

Ainda assim, excepto o fraco português, gostei. Uma exposição interessante, que se concentra nas pessoas, e nos episódios que os filmes não mostraram (não batem a tecla do Guggenheim e do J.J.Astor ou da Molly Brown). Além disso fazem a ligação com objectos recolhidos por sobreviventes, ou directamente do fundo do mar.

Só acabei por não perceber uma coisa: por que raio é que a esmagadora maioria dos bilhetes, postais, etc da época era sueco?


Micha

Segunda-feira, Março 07, 2005

Encomenda Postal...

Como não tenho Net em casa, perco sempre as discussões do fim-de-semana. Discussões que desta vez, claro está, se centram na encomenda que o CDS enviou ao PS.
Quanto a mim não concordo com a acção tomada pelo secretário-geral do partido. Acho que o Prof. Freitas do Amaral, apesar do seu estado actual, faz parte da história do CDS (não do PP, é certo). Se bem que (diz faguiar aqui) não se trata tanto de "apagar" DFA da história do partido, mas de lhe retirar o "privilégio" de figurar numa galeria de honra do CDS. Ainda assim, não sei quem tem o direito de decidir quem figura ou não nessa galeria. Porque assim, amanhã o líder calha de ser monteirista ("knock on wood") e manda tirar o retrato de Paulo Portas (que ainda não está, mas decerto já aí vem).

Em princípio concordo plenamente com o Carlos Andrade no que escreveaqui.

(A razão evocado de que os jovens que hoje em dia entram na sede ficam muito confusos vendo a foto dum opositor ao CDS de hoje na entrada, é simplesmente idiota. Essa "confusão" poderia servir para explicar o que aconteceu no partido desde 1975: que mudou, como todos, e consequentemente perdeu uns apoiantes, ganhando outros. A história do CDS, aliás, deveria ser do cenhecimento de todos os militantes/apoiantes.)

Só espero que o CDS saiba tirar, na oposição, dividendos da participação de DFA no governo: espero que já haja uma equipa a vasculhar os arquivos do diário das sessões parlamentares e do governo, bem como os arquivos do partido, para poder contradizer (principalmente no Parlamento, assim de chofre) medidas do governo com palavras dum seu ministro de estado. Não deve ser assim tão complicado

Sexta-feira, Março 04, 2005

Acordes de início do fim (-de-semana)

Anos Dourados
(Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque)

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões no gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor

Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor

Meus olhos molhados
Insanos dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais


Micha

A ler...

...este post de DBH, sobre um tema que pouco é falado nestes dias: a oposição (estudantil ou universitária) ao terceiro Reich.
Complemente, caro leitor, a informação aqui.

Vou aproveitar para escrever um post, em breve(?), sobre a RAF, Rote Armee Fraktion, organização terrorista na Alemanha nos anos 60-80.
Não que haja qualquer relação entre a resistência a Hitler e o terrorismo de extrema esquerda, mas porque me apetece.

Micha

Quarta-feira, Março 02, 2005

Micha@webforos.fe.up.pt (5)

Em resposta a um colega que dizia: pensando ter sido mal interpretado, acrescento: a direita a que me refiro é a direita dos 7% ( o pp e não o cds ou o psd). este partido so existia em função do seu líder e como tal é um partido moribundo que ninguém quer assumir ( onde estão os candidatos?). paulo portas nao sobreviveu à má gestao que fez de todo este processo, arriscou muito alto ao ter entrado numa coligação que so o podia enfraquecer e ao ter abandonado a pose "paulinho das feiras". o povo português nao anda a dormir e como tal p.p. caiu e arrasta consigo o pp.....talvez seja a hipotese de ressurgimento do cds....

Respondo:


Eu percebi que te referias ao CDS... Tu deves é confundir o CDS do Paulo Portas com o PP do Manuel Monteiro. Esse já desapareceu há 7 anos, foi refundado como PND e existe com votação marginal.
Muito me engano, ou Portas nunca usou o termo PP para designar o CDS...
A prova de que Portas não fez uma má gestão é a dos apelos que têm surgido, de dentro do partido, para que continue. Portas fez, e esta é a opinião da generalidade dos comentadores, uma boa campanha, foi o único partido a apresentar uma equipa de governo e afastou-se do populismo de Santana e do vazio de ideias de Sócrates.
Os candidatos aguardam. Afinal não é preciso anunciá-los na comunicação social, como os do PSD, antes de os anunciar ao partido.
Quanto à participação no governo, foi fundamental para permitir um bom desenvolvimento nos últimos três anos (que poderia ter feito um governo minoritário do PSD?), e aliás, os ministros do CDS tiveram melhores aproveitamentos na equipa de governo (conf. p.ex. a revista Sábado) que os do PSD, com excepção talvez de Celeste Cardona. Não percebo quando dizes que a entrada do CDS no governo só o poderia ter enfraquecido.
A meu ver, o negativo foi o acordo pré-eleitoral, que não permitia que o CDS tolerasse um governo PS. Penso que a maioria dos eleitores preferiu por isso dar a maioria absoluta ao PS que arriscar que o governo ficasse dependente dos comunistas e dos radicais de extrema-esquerda (claro que ninguém acreditava que o PSD pudesse voltar ao poder), visto que o CDS não toleraria um governo PS.

Quanto à demissão de Portas, penso que foi provocada por uma extrema frustração: Portas deve sentir que fez tudo o melhor que soube, com um comportamento governamental e parlamentar excelente e uma campanha muito positiva. Quando vê que isso não deu frutos, deve ter entendido que não iria conseguir fazer melhor no futuro. Esse sentimento, aliado às espectativas goradas, levou-o a demitir-se... É errado dizer que Paulo Portas "caiu" e que arrasta consigo o partido. Portas saiu, quando ninguém esperava que saísse, pelo seu próprio pé.